Entrevista: Juliano Bernardes, Diretor Municipal de Cultura em Barra Velha

O Barravelhense entrevistou uma "jóia rara" do governo Matias: Juliano Bernardes, Diretor Municipal de Cultura e autor do Blog “Descortinando História”.

Barravelhense - Você é o autor do Projeto “Descortinando História” um Trabalho pioneiro em Barra Velha que retrata os personagens da cidade e consolida-se como um verdadeiro memorial da cidade. Como surgiu a ideia de criar o blog?

Juliano Bernardes - O blog surgiu a partir da necessidade de disponibilizar para acesso público as histórias publicadas no Projeto Descortinando Histórias, além do Jornal Folha Parati no qual disponho de um excelente espaço. Penso que essas histórias devem ficar a disposição dos leitores a todo o momento que quiserem ou necessitarem, e o blog é uma importante ferramenta de divulgação do Projeto.

Barravelhense - No dia 25 de janeiro de 2010, você fez a primeira postagem no Blog do “Projeto Descortinando História”. De lá para cá quantas "Descortinadas" você deu?

Juliano Bernardes- Desde janeiro de 2010, foram 72 pessoas que tiveram as suas histórias descortinadas. Algumas já partiram mas as suas narrativas permaneceram através do Projeto.

Barravelhense - Dentre todas as histórias qual foi a que mais te emocionou?

Juliano Bernardes - Como sou apaixonando pela memória de velhos, todas me emocionam. Até porque cada uma possui a sua particularidade. Normalmente são histórias sofridas que na maioria das vezes os próprios familiares desconhecem. Gosto de levar o jornal pessoalmente e quando possível, ler ao entrevistado, onde me emociono com a reação deles. Ao descortinar a história dos meus pais, eles preferiram escrever ao invés de narrar e ao receber a escrita fui para a minha casa iniciar o texto e chorei muito. Eu mesmo desconhecia a história dos meus pais. Esse Projeto é muito gratificante!

Barravelhense- Em 2013 você publicou no blog que faria o lançamento do livro “Descortinando Histórias”. Em que situação encontra-se esse projeto?

Juliano Bernardes - Estou mantendo contato com uma editora que se disponibilizou para publicar as minhas histórias, e no momento, estou adequando-as para serem inseridas no livro. Minha intenção é doar os direitos autorais para a AAPEC pois o Projeto Descortinando Histórias é voluntário e desejo que continue sendo dessa forma. Junto a editora e a AAPEC, estamos buscando pessoas e empresas parceiras que colaborem com a publicação.

Barravelhense - Qual sua rotina de trabalho como Diretor de Cultura em Barra Velha?

Juliano Bernardes - Estou na Fundação de Turismo, Esporte e Cultura todos os dias e, conforme a necessidade, participo de seminários, reuniões ou realizo formações, atendo grupos, enfim. Tenho muitas reuniões durante a noite e até mesmo nos finais de semana. Ao assumir a função de diretor de cultura da FUMTEC eu já estava ciente da rotina, mas quando estamos fazendo o que gostamos, trabalhamos com garra e alegria.

Barravelhense - Quais as suas principais realizações como Diretor da Cultura no município?

Juliano Bernardes - Iniciei como Diretor de Cultura da FUMTEC no dia 1ª de março de 2013 e junto com a equipe da Fundação, realizamos importante ações e eventos, como por exemplo: * 1º Seminário da Cultura “Olhares Sobre o Ontem e os Desafios do Porvir na Cultura de Barra Velha”, * Festival de Terno de Reis, * Exposições na Festa do Divino, * Livro Paradidático “O Divino no Cenário Luso-açoriano de Barra Velha”, * Apresentações do SESC, * Oficinas de Turismo e Cultura, * Luau Literário, * Palestras nas Escolas, * Casa das Recordações: “Espaço Temporário de Exposição e Reflexão dos Hábitos e Costumes de Barra Velha”, * Início do Mapeamento do Patrimônio Material e Imaterial, * Tombamento da Casa de Palmitos, * Projeto Cultura nos Bairros, * 1ª Mostra de Cinema Infantil de Barra Velha, * 1ª Mostra Cultural dos Saberes e Fazeres de Barra Velha na Festa Nacional do Pirão, * Programação Cultural no 9º Congresso Nacional da Igreja Luterana, * Participação na Festa da Cultura Açoriana, * Organização do Conselho do Patrimônio Cultural, * Alteração na Lei de Tombamento, * Cadastro do Município no Sistema Nacional de Cultura – SNC, * Concurso de Fotografia “Olhares Sobre Barra Velha” , * Conferência Intermunicipal de Cultura, * Programação Cultural no Aniversário de Barra Velha, * Projeto Contém Cultura, * Apresentações do FEMUSC, * Fim de Semana Cultural, * Geladeira Cultural, * Lançamento de Livros de autores da região, * Exposições de fotografias e artistas locais. Esses são alguns exemplos dos eventos e ações que realizamos desde que assumimos a Direção de Cultura da FUMTEC.

Barravelhense - Existe um Planejamento Estratégico do governo municipal que inclua o setor cultural de Barra Velha?

Juliano Bernardes - Com certeza, afinal sem planejamento estratégico, não existe governo. Entre as nossas metas principais, queremos estruturar a cultura de Barra Velha de forma a planejá-la para os próximos 10 anos, independente de quem estiver a frente da cultura, instituindo o Sistema Municipal de Cultura. Com o Sistema operante teremos ações de continuidade e todos saem ganhando. O SMC permitirá que os nossos patrimônios materiais e imateriais sejam comtemplados com uma política de valorização e também os produtores culturais em suas áreas específicas. Lutamos também pela construção do Centro Cultural em nosso município através da Lei Rouanet que permite que as empresas invistam parte dos seus impostos na cultura.

Barravelhense - Quais são os produtos turísticos e culturais que Barra Velha tem a oferecer aos turistas e como eles são divulgados?

Juliano Bernardes - Barra Velha é privilegiada por suas potencialidades turísticas e culturais. Dispomos de uma natureza exuberante e muitas histórias para serem contadas. Cito como exemplo, as nossas praias, lagoa, costões e o nosso belo interior. Cada ponto turístico dispõe de ricas histórias que buscamos sempre que possível, divulgá-las. Temos uma rica cultura material e imaterial, representada pelo nosso artesanato, pesca artesanal, costão das pedras brancas e negras, antigo cemitério, casa de palmito, festa do divino, dança de São Gonçalo, boi de mamão, benzedeiras, gastronomia típica e tantos outros exemplos que poderiam ser citados. A Fundação de Turismo, Esporte e Cultura divulga os nossos atrativos turísticos e culturais através do site oficial, rede social, cartão postal virtual semanal, visitas monitoradas pelo município, oficinas, feiras, seminários, órgãos do governo e instituições particulares que valorizam e divulgam o nosso município.

Barravelhense - A casa de recordação foi uma idealização sua? por que o governo municipal deixou de apoiar esse projeto que vinha recebendo elogios de toda comunidade?

Juliano Bernardes - A Casa das Recordações não foi uma ação minha, mas do governo municipal, através da Fundação de Turismo, Esporte e Cultura. O Projeto era temporário e tivemos apoio da Erivelto Imóveis que nos cedeu aquele espaço gratuitamente. Temos a intenção de retornar com o Projeto no 2º Semestre com a Casa das Recordações no espaço rural do município, para tanto, estamos buscando parceria com alguma família do interior que possa nos ceder um espaço para as exposições, apresentações e outras ações que estão previstas para acontecer.

Barravelhense - Quais são as novidades que serão implantadas para o desenvolvimento da cultura no município?

Juliano Bernardes - Além da estruturação da cultura com o Sistema Municipal de Cultura e das parcerias através da Lei Rouanet, conforme já citado, estamos desenvolvendo dois importantes projetos de valorização da cultura local, um documentário sobre a história do município e um livro infantil para os alunos da Pré-escola. Queremos ampliar o Projeto Geladeira Cultural, iniciar os estudos para o tombamento e registro da pesca artesanal como patrimônio municipal, organização da 2ª Mostra de Cinema Infantil, cadastro de todos os artesãos do município, organização de um grande espaço cultural denominado “Vila Açoriana” na Festa Nacional do Pirão e outras ações que divulgaremos posteriormente.

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