Invisibilidade do negro na construção da história do vale do Itapocu

Nas localidades do norte catarinense onde predominava a ocupação açoriana, havia segregação racial ou seja nos municípios de Araquari, São Francisco do Sul e Barra Velha. Para se ter uma ideia, o primeiro batizado realizado em nossa cidade, aos 14 de dezembro de 1862, foi de uma menina chamada Thereza, filha de Catarina, escrava de José Francisco da Rosa.

Existe registros que negros escravizados após fugirem destes redutos se fixaram mais acima no vale do Itapocu. Na localidade de “Putanga” por exemplo, os afrodescendentes teriam estabelecido uma pequena comunidade. Ao longo da segunda metade do século XIX muitos negros já estavam estabelecidos mas no interior, contribuindo também para o desbravamento da região. Lembrando que as primeiras levas de imigrantes alemães, Húngaros e poloneses que chegaram a “Jaraguá do Sul e Adjacências”, foram transportados até seu destino a partir do “Porto do Sertão” em Barra Velha, a maioria destes “canoeiros”, que os conduziram era constituído de afrodescendentes. O próprio fundador de Jaraguá, o belga “Emilio Carlos Jourdan” e seu sogro Charles Caffier foram guiados pelo Itapocu até a respectiva localidade pelo negro “Calixto Domingos Borges”. Ainda Sobre a fundação de Jaraguá dizia o editorial do jornal “O Correio do Povo” no dia 25 de Julho de 1952: “... a viagem fora feito em canoas, vadeando itoupavas e impulsionadas pelos braços fortes dos pretos e dos caboclos de Barra Velha que se incorporaram a expedição...”. Hoje se exalta o espirito empreendedor e laborioso dos imigrantes brancos europeus como Fator de desenvolvimento do vale do Itapocu, pouco se fala no entanto, da importância e da participação de afrodescendentes na construção da história desta região.

O afrodescendente Calixto Domingos Borges (foto) foi o guia da 1ª expedição que levou através do Itapocu, o engenheiro belga Emílio Carlos Jourdan e seu sogro Charles Caffier até a confluência do rio Jaraguá. A fotografia foi tirada em 1941 quando da inauguração de um busto que homenageava o fundador da respectiva cidade (Jourdan). Na época o canoeiro radicado em Barra Velha tinha mais de 80 anos de idade. Assim denominado “Porto do Sertão” nas margens do rio Itapocu nas cercanias da freguesia de Barra Velha, serviu de base de apoio para o assentamento de imigrantes alemães na região.


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