Aspectos da escravidão em Barra Velha

Cópia de um documento chamado “Meia Siza” (tributo pago ao estado pela venda de escravos) ainda é encontrado em cartório da cidade de Barra Velha.

No seu memorável livro “Colonisation Au Brésil” ainda sem tradução no Brasil, o engenheiro Charles Van Lede, encarregado de estabelecer uma colônia Belga em Santa Catarina (Ilhota) em 1842, traz um quadro descritivo sobre o número de homens brancos e escravos em algumas vilas e povoados da região. Em Barra Velha no respectivo ano citado, para um universo de mil almas livres pelo menos 30 eram cativos, ou seja, 3% da população era constituída de africanos escravizados. No dia 14 de dezembro de 1862 teria ocorrido o primeiro batizado de Barra Velha, tratava-se de Thereza, filha de Catarina, escrava de José Francisco da Rosa. O falecimento do Barravelhense Manoel Joaquim da Costa em meados de 1868, que deixou em testamento a alforria de seis escravos após a sua morte, nos dá uma ideia do percentual de segregados da freguesia. Posteriormente, um oficio do bispo Dom Pedro Maria de Lacerda do Rio de Janeiro, publicado no jornal “O Conservador” em novembro de 1873 que orientava o vigário do Parati a prestar informações sobre o número de crianças libertas de mães escravas, batizados e falecimentos em São Pedro de Alcântara de Barra Velha, revelava que as leis abolicionistas (lei do ventre livre ou Euzébio de Queirós) já tinha reflexos na freguesia nesta época. Deste período encontramos também copias de um documento chamado “Meia Siza” (tributo pago ao estado) pela venda de escravos. Sobre a presença de afrodescendentes na constituição demográfica da cidade e na construção da sua história é importante fazer referência a “Crispim Felisberto” que foi talvez, o último escravo liberto que viveu em Barra Velha. É possível que muitos cativos da “armação do Itapocoroi” tenham sido negociados por seus arrendatários depois da crise do “ciclo da pesca da baleia”, que ocorreu já na primeira metade do século XIX. Da mesma forma, escravos trazidos por “Emilio Carlos Jourdan” para o vale do Itapocu, para levar a efeito alguns projetos na região, devem ter sido vendidos, depois do fracasso desses empreendimentos. Lembrando ainda que a população negra e escrava acompanhou o processo de ocupação do território compreendido pela “vila de São Francisco do Sul”, do qual Barra Velha fazia parte.


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