El Niño e os ovos todos no mesmo cesto


Começo a ocupação desta tribuna aflorando um tema que tem marcado a atualidade regional e que direta ou indiretamente tem influenciado a vida de toda a gente: o mau tempo.

Não é novidade que o clima anda alterado e com isso fica comprometida a divisão natural do ano em estações, em que o mau tempo apareceria no Inverno deixando o bom tempo para o Verão, concentrando na temporada o apetite turístico pelo sol e praia. Os respingos do El Niño trouxeram à nossa região nesta pré temporada quase 60 dias consecutivos de chuva. E como vai ser durante a temporada?

O F.C.C. (Forúm Climático Catarinense), de acordo com o vinculado na edição do Jornal do Comércio de 7 de Novembro, prevê que a chuva diminua em Dezembro e Janeiro em relação a Novembro, mas ainda assim, com valores acima da média normal durante este período. Será assim uma temporada pior que as anteriores em termos de clima.

Não seria um problema de maior para Barra Velha e a região costeira de Santa Catarina se não fosse um fenómeno que acontece cada vez com mais frequência, sendo uma das demonstrações mais fieis das alterações climáticas. O I.P.C.C. (Intergovernmental Panel on Climate Change, Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas), órgão internacional que acompanha a evolução do clima e suas transformações, alerta no seu relatório de 2014 que a região sudeste do Brasil sofre bastante com estas intempéries, sendo a economia relacionada com o mar a mais afetada. Temos assim um cenário de mudança climática que periga os ecosistemas marinhos, e com isso a atividade pesqueira, mas também toda a economia relacionada com o mar, que na nossa região é marcada pelo turismo.

Existe então a necessidade de diversificar a economia, mais precisamente diversificar a oferta turística. Ampliar a oferta turística para além do sol e praia torna-se imperativo. Depender exclusivamente do turismo natural é desprecavido. Cidades como Barra Velha, que têm uma oferta turística monolítica, serão presas fáceis de um clima cada vez mais intransigente. O turismo tem de sair da sua vertente natural e explorar outros vetores, como o turismo cultural ou de negócios.

França é o país mais visitado no mundo desde a década de 80, alternando a sua oferta entre Alpes, Côte D'Azur, Torre Eiffel, Museu do Louvre e outras atrações que fogem do turismo de praia. Com perto de 100 milhões de visitantes anuais, os franceses consolidam o primeiro lugar como destino turístico mundial devido à sua diversidade de oferta.

Havendo essa diversificação, Barra Velha e cidades com forte dependência turística poderão receber visitantes todo o ano, independetemente do clima. É urgente fazer este debate na cidade para que se possa pensar em soluções estruturais que permitam tal oferta, com o risco de se ir perdendo fôlego económico e a oportunidade de tomar decisões no tempo certo, pois o mau tempo, esse não espera.

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