EXCLUSIVO: Barravelhense entrevista Valdir Nogueira, ex Secretário de Educação em Barra Velha


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“A política educacional de Barra Velha ainda é esboço e precisa trilhar caminhos mais ousados e focados com planejamento sistêmico para tornar-se realidade na territorialidade municipal.” Disse o ex Secretário de Educação de Barra Velha, Valdir Nogueira, em entrevista exclusiva ao Portal Barravelhense.

Qual o motivo de sua saída do cargo de secretário de Educação em Barra Velha?

Trata-se de uma escolha pessoal. Dar continuidade a minha vida acadêmica. Preciso retomar os trabalhos com os grupos de pesquisa da Universidade Federal do Paraná, a participação nos seminários e simpósios de investigação em educação e, dar continuidade às pesquisas que iniciei após o doutorado. Estou com o projeto do pós-doutorado para concluir e, nesse sentido, preciso me dedicar com maior intensidade.

Você em algum momento sentiu-se desprestigiado pelo prefeito?

Não houve, em momento algum desprestígio pelo prefeito. Somos amigos desde muito tempo e nossos diálogos seguiram com o mesmo respeito e amizade. O que se pode apontar, numa gestão pública, são os limites de entendimento ou os alcances pretendidos nas políticas públicas em educação e isso não tem nada a ver com ser ou não desprestigiado, tem relação com os alcances que se quer em relação às políticas educacionais.

O prefeito cancelou o programa do Governo Federal Mais Educação. O que representa essa decisão para a educação em Barra Velha.

Não houve cancelamento do Programa do Governo Federal - o Mais Educação. O prefeito não pode fazer isso. O Programa Mais Educação, como o próprio nome já diz – é um programa, e é indutor à construção de uma Política de Educação Integral e foi essa experiência que estava sendo desenvolvida no município que foi, segundo o prefeito, temporariamente suspensa. Sobre o que representa isso para o município, vou responder com um questionamento: como avançar na formação dos sujeitos-alunos como sujeitos cidadãos críticos e de direitos a mais educação e a educação com qualidade se não há compreensão das políticas públicas em educação? O significado está aí. Barra Velha tem programas de governo, mas não se abriu à construção de políticas públicas para a educação. Era o que estávamos ensaiando.

Em que situação encontra-se a política educacional em Barra Velha?

Na pergunta anterior já respondo a essa questão. Mas, pode-se ampliar o entendimento no sentido de que Barra Velha, sob o ponto de vista educacional tem uma lei de sistema, um plano de carreira e diretrizes curriculares organizadas pela gestão anterior. No entanto, esses documentos não representam políticas educacionais desdobradas em concretudes onde se traçam os planejamentos e as linhas condutoras da ação educacional no município. No PPA – Plano Plurianual, traçamos metas e objetivos que dessem um delineamento das políticas educacionais a serem seguidas e implementadas. Além do PPA, apontou-se a necessidade de um planejamento estratégico na educação – o que realizamos, em parte com os técnicos da secretaria e com diretores de escolas. Nesse conjunto de planejamentos, estão os projetos, os programas, os processos de ensino e de aprendizagem e as adequações necessárias à infraestrutura física e humana, bem como, sob o ponto de vista do acesso e da permanência dos sujeitos alunos nas escolas. Ainda, nessa direção, procuramos traçar uma perspectiva educacional para Barra Velha representada por missão e visão claras de onde se parte e onde se pretende chegar, dados os atrasos constatados na pasta. Nesse sentido, pode se dizer que a política educacional de Barra Velha ainda é esboço e precisa trilhar caminhos mais ousados e focados com planejamento sistêmico para tornar-se realidade na territorialidade municipal.

Qual a avaliação que você faz do trabalho realizado por você frente a Secretaria de Educação de Barra Velha?

Foi um trabalho muito positivo e intenso. Trabalhei com pessoas muito competentes e dinâmicas. Escolas, gestores e educadores se abriram a outra perspectiva educacional e isso é grandioso. Precisávamos movimentar a educação e dinamizar os espaços-tempos de aprendizagem e isso foi realizado. Outras dinâmicas, outros modos de valorizar o que acontecia nas escolas e na vida acadêmica dos alunos e professores foi estabelecida – as divulgações/publicações, os seminários, as mostras pedagógicas, os encontros para debates, enfim, em perspectiva colaborativa, empoderamos os tempos, os espaços e o direito de aprender. E isso não ocorreu apenas na aprendizagem, também na infraestrutura com reformas e retomadas das obras, com aquisições de veículos, com abertura ao dialogo com professores nas paralisações, nas lutas por melhores condições de trabalho e salarias. Para mim, foi um tempo de aprendizagem muito significativo. Foi o mesmo que fazer outro doutorado em tempo reduzido.

Quais os projetos que ficarão registrados como seu legado na gestão da secretaria?

Vou listar o que fizemos como equipe e isso deve ser reconhecido como trabalho de todos: Criamos PROGRAMAS E NÚCLEOS como o Núcleo de Tecnologias Educacionais – NTE; Núcleo de Estudos e Atendimento Especializado – NEAES; Programa Docência Mais Cultura –formação cultural e socioambiental dos professores em outros ambientes; Educação Ambiental – construção de proposta inicial. Investimos nos PROGRAMAS NACIONAIS: Programa Mais Educação – Educação Integral Integrada; PNAIC – Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa; Atleta na Escola – Programa de Formação Esportiva Escolar. Demos continuidade a PROJETOS SOCIAIS e criamos outros: Ginásio Aberto: Atividades Esportivas para a Comunidade; Esporte, Saúde e Cidadania na Comunidade; Cultura nos Bairros: O direito à Rua; Leitura e cidadania: Formação de leitores na UPA. Nos PROCESSOS DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM PRÁTICAS EXTRACURRICULARES, onde havia maior lacuna e precisava de mobilização e de novos direcionamento, implementamos: Integração Pedagógica; Projeto: Aulas de Reforço; Projeto Presença; Caminhada da Paz e Não-Violência; Jogos Escolares da Paz; Mostra Pedagógica- Atletismo Escolar; Mostra Pedagógica Volêi Junior Escolar; Maratoninha Escolar; Mostra Pedagógica Tênis Junior Escolar; Mostra Pedagógica; Non Violence - Esporte pela Paz – Não à Violência; Porto Literário; Árvore da leitura; Projeto INVIO – focado na infrequência escolar; Educação Científica – formação com foco na Astronomia, na Física, na Mecânica e na Matemática; Vereador Mirim em parceira com a Câmara De Vereadores; Recreio Lúdico – jogos formativos para os períodos de intervalos; Aula de Música; Mostra Musical; Dança – ainda em experimentação na rede; Folclore Local. Na FORMAÇÃO DOCENTE E DOS GESTORES – aspecto de avanço e de necessidade encontrada na rede, desenvolvemos: Inclusão e Libras – cursos para professores e comunidade; Colegiado de Gestores; Seminários – tivemos a presença de muitas universidades nacionais no município, a exemplo da PUC, da USP, da UnB, da UFSM, da UFPR, da UFSC, da UNIVILLE, da UNIVALI, etc.; Orientações e Acompanhamento Pedagógico nos Anos Iniciais; Orientações e Acompanhamento Pedagógico nos Anos Finais; Orientações e Acompanhamento Pedagógico na Educação Infantil; Orientações e Acompanhamento AEE; Curso de Formação AEE; formação para Motoristas e Monitoras. Iniciamos um trabalho na direção de se criar a COMISSÃO PRÓPRIA DE AVALIAÇÃO – CPA. Investimos na NUTRIÇÃO ESCOLAR, com mais abertura e dialogo para as ações da nutricionista. No SETOR DE TRANSPORTES, ampliamos, na medida do possível, a frota. Os veículos recentemente apresentados à sociedade ainda foram investidas nossas para que a educação ampliasse sua frota devido as necessidades cotidianas. Deixamos articulado o Projeto de Lei que cria o Núcleo de Atendimento Educacional Especializado; o Projeto de Lei Complementar que Valoriza o Professor Alfabetizador que atua no terceiro ano; o Projeto Porto Literário que mostrou os potenciais da educação municipal. Nesse período, foram reformadas 06 unidades escolares, retomadas duas obras em atraso, uma com mais de sete anos e encaminhado projeto de novas reformas e ampliações, além da elaboração do projeto da Biblioteca Municipal, juntamente com equipe de arquitetos e engenheiros. As escolas estavam sucateadas sob o ponto de vista físico-estrutural e fizemos um plano emergencial de reformas que foi seguido, com continuidade para os próximos dois anos. Trouxemos para Barra Velha, em convênio, a UNISOCIESC – Barra Velha passa a ter polo universitário novamente; Fizemos convênio com o SESI para ampliar as perspectivas de formação na Educação de Jovens e Adultos – outras possibilidades educativas; Organizamos o início da formação na modalidade prisional de Educação de Jovens e Adultos para a UPA em convênio com o Estado. Esses e outros trabalhos já foram planejados, precisando apenas dar sequencia pelo novo secretário.

Qual a mensagem que você deixa aos professores, alunos, pais e ao público Barra-Velhense?

No relatório que entreguei ao Prefeito, ao atual Secretário de Educação, à Câmara de Vereadores e aos Educadores e Gestores, Técnicos e Especialistas em Educação, eu defino a Educação como uma possibilidade. É isso! Mas para enxergar essa possibilidade é preciso mudança de mentalidade. Esse é o maior desafio em Barra Velha. Diria aos pais, professores, alunos e à comunidade o que escrevi no final do relatório: “Por fim, para que o Sistema Educacional Municipal se desenvolva com coerência e potencial, cabe o que propõe Humberto Mariotti (2000, p. 320), “[...] melhor seria que estivéssemos sempre abraçando e nos deixando abraçar” (MARIOTTI, 2000, p. 320). Em tese, a política do abraço é uma política que, ao entender que a escola pode ser referência na sociedade, entende com ela, a escola, que a Educação pode ser uma matriz de produção de felicidade, de empoderamento do ser humano”.

ACESSE ARQUIVO EM PDF CONTENDO PORTIFÓLIO DAS REALIZAÇÕES DE VALDIR NOGUEIRA NO COMANDO DA EDUCAÇÃO EM BARRA VELHA

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